Aos poucos começamos a ter a sensação de que estamos fadados a ouvir, em futuro muito próximo, músicas antigas regravadas. Digo isso, porque nossos grandes intérpretes e compositores como Caetano, Gal, Bethânia, Gil, Milton Nascimento, Chico Buarque entre tantos outros, já estão atingindo uma idade um pouco avançada e em contrapartida não surge, neste setor, um novo nome do mesmo quilate. Estamos condenados a ouvir os “Tigrões” da vida com sua música pífia, Lairton e uma enorme gama de “ditos talentos”, com valores ínfimos, que causam aos nossos ouvidos, pelo menos nos de quem tem bom gosto, toda forma de traumatismos, transformando nossos órgãos auditivos em vasos sanitários.
Vivo a perguntar-me qual é o motivo desta infeliz catástrofe e chego a horrível conclusão: não pode surgir algo novo e de valor refinado em um país com pouca atividade intelectual, pouco exercício de leitura e que estatísticas mostram que apenas 10% das pessoas que lêem um livro não conseguem passar do primeiro capítulo e 86% dos leitores não entendem o que foi lido. Que inacreditável realidade.
Felizmente, na tradicional música nordestina, o Forró, graças a Deus, não tem sofrido tanto, porque sempre surgem alguns novos nomes de acentuada criatividade e boa expressão, para darem continuidade a esse segmento da nossa MPB. Eles criam melodias e letras fascinantes. Por isso, é que acredito que Deus seja realmente nordestino e que gosta de Forró, pois Ele nos deu nomes como: Timbauba, Flávio José, Adelmário Coelho, Petrúcio Amorim, Jorge de Altinho, Alcimar Monteiro entre outros.São eles que às vezes nos fazem lembrar o “Velho Luiz”.
A nossa cultura, infelizmente, navega em um barco singrando o oceano da inércia intelectual, sem aparecer alguém que consiga despertar a criatividade adormecida no interior do povo brasileiro, quer seja na literatura ou na música, para mudar o quadro caótico e aterrador em que se encontra o Brasil. Por isso, posso até arriscar em dizer que os responsáveis são os nossos governantes, porque “quanto mais desinformado um povo, mais fácil será a manipulação”.
