A face perversa de um país chamado Brasil / Por Sérgio Jones*

A pobreza brasileira tem cor e é preta
FOTO: Cljornal

Estudos e pesquisas feitas apontam uma amostragem perversa que revela ser o Brasil um país sem alma e despojado do mínimo de decência no trato de seu povo, em especial das crianças e adolescentes em situação de rua. Sendo o grosso de sua maioria negras.

Dentre os graves males que são acometidos podemos citar como consequência o racismo, trabalho infantil, entre outras mazelas sociais que já se transformou em uma odiosa rotina que atenta contra os mais elementares direitos do ser humano.

Os principais fatores que contribuem e mantêm esses jovens em situação de rua são a mendicância e envolvimento com o tráfico. Estudos apuraram que desse imenso contingente de deserdados, espalhados pelas metrópoles do país, Cerca de 85% já sofreram algum tipo de violência, 64% já utilizou algum tipo de drogas, 41% declaram ainda usas e 62% passaram por instituições de acolhimento. O que em tempos de pandemia a situação deverá se agravar ainda mais.

De acordo com a pesquisa da Campanha Nacional Criança Não é de Rua, 62% das crianças e adolescentes frequentavam a escola, 45% trabalhavam, 48% faziam atividades físicas e 62% mantinham contato diário ou semanal com a família. Ao todo, 96% tinham pelo menos um documento, geralmente a certidão de nascimento.

Outro ponto que chamou a atenção dos pesquisadores é que mais da metade das crianças entrevistadas (54%) disse que tinha um relacionamento bom ou muito bom com os pais. Questionadas sobre as violências sofridas nas instituições de acolhimento, as respostas mais assinaladas foram: “te machucaram fisicamente” (67%) e “gritaram com você” (36%). Apenas 3% dos participantes alegaram nunca ter sofrido nenhum tipo de violência.

O que se constata é que os indicadores apontam que no acolhimento há um agravamento das situações de violações de direitos. Para o educador social Manoel Torquato, coordenador da Campanha Nacional Criança Não é de Rua, com sede em Fortaleza, no Ceará, esses espaços acabam oferecendo riscos, pois reduzem o acesso a direitos que deveriam ser potencializados”.

Para o coordenador a solução é a melhoria da capacitação dos funcionários que atuam no processo de acolhimento das crianças em situação de rua. “Indicamos que os atendimentos usem uma metodologia especializada, mas a grande maioria dos equipamentos não tem pessoal treinado e acabam considerando as crianças e os adolescentes em situação de rua indesejáveis nesses serviços”, pontua.

*Os dados exibidos nesse artigo foram retirados da matéria de autoria de Juca Guimarães, publicado no Alma Preta.

Sérgio Jones, Jornalista (sergiojones@live.com)

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