Brasil: “o povo que se exploda”/Por Sérgio Jones

Os pobres que se explodam!
FOTO: Opinião sem medo

Canalhice típica do modelo econômico desenvolvido pelo ‘capitalismo’. Primeiro concentra renda e privilégios que atendem aos interesses de uma reduzida casta de parasitas que vivem de forma nababesca e estéril, se beneficiando através de sistema financeiro conhecido como rentismo. O que significa dizer que nada produzem, vivem da especulação financeira. Totalmente alheio aos segmentos produtivos. Promovem e alimentam de forma cínica crises sociais que conduzem a grande massa de trabalhadores a sua mais completa miséria.

A consequência de todo este resultado macabro já é esperada, a história é uma prova viva das sucessivas crises, que resultam em caos social que conduzem às guerras. Estas recebem epítetos glamorosos que justificam o genocídio em massa dos filhos da classe trabalhadora, classe esta que passa a defender interesses que lhe são totalmente alheios, e menos nacional ainda. Quando a bem da verdade, o povo está lutando pelos interesses justamente das classes opressoras que por algum motivo pretendem expandir os seus mesquinhos interesses, além das fronteiras.

Não se dando por satisfeito com a prática de seus atos predatórios e egoístas, o sistema econômico caótico existente tenta constantemente, após cada crise, se reinventar. Nos dias tumultuados em que estamos vivendo, diante da incapacidade do modelo econômico vigente, no Brasil, a situação se agrava devido a incapacidade do mesmo que se demonstra incapaz de propiciar meios de subsistência digno à população, em especial aos segmentos econômicos mais vulneráveis. De forma oportunista e demagógica os opressores apelam para que seja introduzido nos currículos escolares a matéria intitulada como ‘educação financeira’.

Seria cômico se não fosse trágico, um país que convive com mais de 13 milhões de trabalhadores desempregados, sem carteira assinada, milhões tentando sobreviver atuando na informalidade, sem se falar nos desalentados, estes que depois de anos resolveram desistir de tentar entrar no rol das classes dos trabalhadores formais. Esta realidade, ao contrário do que projeta a mídia burguesa, soma-se em mais de 30 milhões de pessoas aptas que se encontram fora do mercado de trabalho.

A grande pergunta a ser feita é como o cidadão sem dispor de nenhuma fonte de ganho pode poupar o que não possui? Nem sendo mágico. Exceto se o dinheiro do trabalhador fosse fêmea e tivesse a capacidade de se reproduzir. Mesmo assim, a situação não si resolveria, pois para que isso ocorresse, o trabalhador teria que ter algum papel moeda no bolso, o que não acontece. Crise só não existe mesmo para os privilegiados e seus congêneres. Estes sempre se encontram ocupando os melhores espaços e cargos existentes.

Outro aspecto que o povo ainda não se deu conta é de que quando as forças da natureza são desencadeadas em toda a sua fúria, as vítimas são sempre as mesmas, os pobres. Não se veem nos noticiários mansões de políticos e de segmentos privilegiados, fazendo parte dessas estatísticas. Eles geralmente ocupam os melhores espaços que só o capital pode propiciar. Quanto ao povo, como professava, Veríssimo, personagem de Chico Anísio, “ O povo que se exploda”.

Sérgio Jones, jornalista (sergiojones@live.com)

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