E agora, José?/Por Alberto Peixoto

E agora, José?
FOTO: Apeixoto

O poema “José” de Carlos Drummond de Andrade, já em 1942 explicita a sensação de solidão e abandono das pessoas no Brasil atual, a sua falta de esperança e o sentimento de que está esquecido na vida, sem noção de que caminho seguir.

Este poema retrata os brasileiros dos dias atuais, vítima de um governo neofacista e da irresponsabilidade de quem o elegeu.

José, e agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou… e agora, José? E agora, eleitores de Bolsonaro? Ir para onde? Está sem discurso, está sem mulher… o dia não veio, o bonde não veio, o estudo acabou e tudo fugiu e tudo mofou. Sua incoerência, seu ódio – e agora, José? Você é duro, José. Sozinho no escuro qual bicho-do-mato, sem parede nua para se encostar…Você marcha, José! José, para onde?

O melhor aluno brasileiro é pior do que o pior aluno coreano – Fernanda Pacobahyba, educadora, doutora em Direito Tributário e Secretária da Fazenda do Estado do Ceará.

A educação parou, a luz do conhecimento apagou, o aluo sumiu, a noite da ignorância acabou com os sonhos dos jovens que tinham a esperança em um futuro melhor, mas o ódio dos menos ou totalmente sem capacitação, varreu este sentimento da vida dos brasileiros.  

José, brasileiro comum, vítima de um sistema social perverso que mantem sua vida em uma complexa sociedade onde a falta de educação, cultura, arte e a liberdade está passando a ser um problema social histórico, sempre ligado à exploração dos mais poderosos contra os mais fracos.

Para extirpar de vez este mal da face da Terra, é fundamental acabar com o capitalismo selvagem e toda forma de exploração do homem pelo homem.

Em contrassenso com o momento em que vivemos, momento em que já se desenvolveu a teoria de controle e a teoria geral de sistemas complexos, alinhando-se às funções de controle e comunicação, onde a robótica e a computação possibilitam uma ligação inteligente entre a percepção e a ação, não é fácil aceitar ser gerido por um presidente analfabeto funcional e 100% analfabeto político, apoiado pelos seus três patéticos filhos e por grupos – pessoas e eleitores – do mesmo calibre. E agora, José?… para onde?

Este texto foi baseado no poema “José” de Carlos Drummond de Andrade, que nasceu em Itabira (MG) em 1902 e faleceu em 1987 no Rio de Janeiro. Foi um dos mais influentes poetas do século XX.

Alberto Peixoto, Escritor (comendadoralbert@bol.com.br)

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