Bolsonaro: esse não é o Brasil que queremos/ Sérgio Jones*

O Brasil que não queremos
FOTO: Arquivos Google

Situação escandalosa começa a se delinear no perfil do Brasil que passa a apresentar uma face, cada vez, mais grotesca que vem se agravando com a ascensão de Jair Bolsonaro e seus títeres, aos podres poderes. O país começa a crescer que nem rabo de cavalo, para baixo. E o mais triste de toda essa realidade é que a tragédia já estava escrita nas estrelas. A ascensão desses arremedos de políticos, só foi possível por ter contado com a ajuda de considerável parcela da classe pobre e desenformada, vítima de um modelo econômico aberrante, que infesta a nação. E que continua crescendo em ritmo acelerado, jamais registrado nos anais de nossa triste história.

O fosso existente entre ricos e pobres se ampliou, de forma desumana, incentivado por um modelo econômico e político voltado para atender os privilegiados. O Estado por ser burguês, nada fez ou faz para minimizar o crime da concentração de recursos praticado por uma casta de parasitas que vivem e sobrevivem da ciranda provocada pela especulação financeira, que nada produzem. Os segmentos voltados para o setor produtivo se sentem sufocados pela excessiva burocracia existente e por ter que suportar uma sobrecarga brutal de impostos.

Com a escandalosa falta de geração de emprego, a miséria toma conta de todo o território nacional, não respeitando limites e divisas existentes no território nacional. Para se ter uma pálida ideia: quase 30% da renda do Brasil está nas mãos de apenas 1% dos habitantes do país, a maior concentração do tipo no mundo. É o que indica a Pesquisa Desigualdade Mundial 2018, coordenada, entre outros, pelo economista francês Thomas Piketty.

O Brasil também se destaca no recorte dos 10% mais ricos, mas não de forma tão intensa quanto se observa na comparação do 1% mais rico. Os dados mostram o Oriente Médio com 61% da renda nas mãos de seus 10% mais ricos, seguido por Brasil e Índia, ambos com 55%, e a África Subsaariana, com 54%.

A região em que os 10% mais ricos detêm menor fatia da riqueza é a Europa, com 37%. O continente europeu é tido pelos pesquisadores como exemplo a ser seguido no combate à desigualdade, já que a evolução das disparidades na região foi a menor entre as medidas desde 1980. Eles propõem, de maneira geral, a implementação de regimes de tributação progressivos e o aumento dos impostos sobre herança, além de mais rigidez no controle de evasão fiscal.

O que fica patenteado, nesta simples narrativa, é que a pobreza não decorre da vontade de Deus, mas da ganância dos homens. Os pobres enquanto não tomarem consciência de que a miséria de muitos é resultado de práticas sociais, econômicas, egoístas desenvolvidas por poucos, em detrimento de uma expressiva maioria. Nada será feito para mudar esta situação degradante que atenta contra a dignidade humana.

Quando perguntarem que porcaria de país é esse, o que devemos responder? A porcaria é de vocês, nós o povo retratamos, sofremos e representamos a realidade dos fatos. A pergunta que não quer calar, até quando o grau de tolerância do povo brasileiro vai suportar os crimes praticados pelos donos do poder, que tanto mal gera contra a nação e seu povo? Só a história dirá.

Sérgio Jones, jornalista (sergiojones@live.com)

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