O QUE VOCÊ VIVEU NINGUÉM ROUBA! FEIRA DE SANTANA: LOUCURAS E LEMBRANÇAS!/POR: C. H. Mascarenhas Pires

Beco da Energia com novo designe
FOTO: Arquivos Google

Quando leio ou ouço algo sobre Feira de Santana, me lembro de tanta coisa…

Dos lugares, me lembro do FTC, Cajueiro, lembro da Sativa, do meu colégio Assis, da Feira dos Tecidos e da Le Biscuit, que ainda era armarinho. Lembro da Ponte Rio Branco, da ‘Portinha’, da tabacaria de seu Ribas no Mercado de Artes, das meninas do Gastão, ah como eu lembro do Sobradinho…

Lembro de Ruy Caribé, Caculé, doutor Colbert, José Falcão, Sinval Galeão, Zé e Chico Pinto, Zé Coió, ah! Eu me lembro da Fazenda Mocó! Como esquecer Vavá Machado, Nossa Papelaria, Lojas Brasileiras, Jornal Feira Hoje, Folha do Norte, Revista Panorama…

Quando Humberto Cedraz foi Grão Mestre, eu nem sonhava em ser aprendiz, e no quesito boemia, minha tendência iniciou com o saudoso Miguel Mário, que uma hora dessas está no céu convencendo São Pedro a dar uma entrevista para a Evidência… Quantas vezes saímos de Miúra para caçar o que fazer…

Lembro que eu subia o Najé, chegava no Sertanejo, falava com Keneddy sobre o FTC. Ia pela J.J. Seabra até a Otan Center, depois dava uma passadinha na Senhor dos Passos e via o movimento do lambe-lambe; descia pro Bendegó para tomar um menorzinho e escutar as negociações da arroba do boi, que às vezes era gordo, às vezes a seca consumia!

Lembro das festas do Cruzeiro com cheirinho de pipoca. Das matracas anunciando Taboca, das pedaladas até o Tanque do Urubu! Falar de Feira é até mesmo sair dela, porque Feira não é Feira sem a praia de Cabuçu!
Quem acha brega ou nojento, não tá com nada! Bom mesmo era quando eu ia no Centro de Abastecimento comer buchada! Comprava Carne de Sol no estande de Jessé, e saía para buscar aipim no outro pavilhão a pé.

Como esquecer o Ana Muller e o Baitakão, que o cheiro da gordura ia lá Prefeitura? Bacana era comer Galinha Mista no Laranja Mecânica de Bau, pedir Maniçoba de Tonho, azarar lá em Ana da Maniçoba ou beber uma gelada no Zequinha. Chique era assistir vídeo no Saloom, beber Cuba Libre no Neu’s Bar e escutar da namorada que queria um Daikiri, ou um St. Remi.

O meu lado de presença sempre foi as bandas do Sobradinho, mas eu tinha amigos em todo canto; do Muchila a Queimadinha, da Rua Nova a Santa Mônica, do Tomba a Lagoa Salgada, todos na mesma toada! Em todo canto eu já fui nessa Feira de Santana, e cada um tem o seu charme, sua história…

Não consigo esquecer das tardes de domingo no Iris ou no Timbira, e depois na Gelateria Italiana e Boate do Guaraná. Dos gritos que ecoavam do Joia da Princesa em dia de jogo do Touro do Sertão. E sem falso moralismo, me faz falta passar na porta do Velho Zú para curiar o que se passa lá dentro, dos papos com Dona Darci no Mariscão ou das noites com cheirinho de Stiletto com Alaíde do L’Amour…

Quando minha Belina quebrava, lá ia eu procurar Enxada, melhor mecânico ausente da Rua de Aurora. E se Enxada não desse jeito, passava no Bar São Carlos, de Cardeal, pedia um Gengibre, ou um Milome, comia uma medida de ‘minduim’ torrado e caçava outra oficina!

Fui muitas vezes às festas de Santana. Já usei mortalha para sair atrás do Trio Tapajós na Micareta e já revelei muita foto com Seu Jad’s! Já comi (ou bebi) muito Caldo de Sururu, Mocotó e de Feijão. Já tomei tanta cachaça, tanto Old Eight, Passport, Bell’s e Teachers num punhado de bares por Feira à fora. Saudades do Ferro de Engomar, Choop House, Garrafão, Cabaret, Luar Drinks, Água de Bebê, Chico Bulu, Bule-Bule, Ferry Boat, Ponto do Caranguejo, Bar de Vidal, das pizzas do Timbau! Saudades da Noite do Hawaii, dos bailes do Euterpe, do Caju de Ouro… Saudades da viola de Cescé e Timbaúba!

Feira de Santana é uma mistura de tanta coisa do Nordeste, que mal eu sei discernir onde ela começa, e quando ela nunca termina! Fato mesmo é que minha cidade é sim, uma eterna menina, que não merece morrer de velhice…

Nasci em Feira, dois dos meus filhos são de Feira. Meus netos Caio e Lara são de Feira. Meu pai, irmãos, primos estão me Feira! Minha primeira namorada é de Feira. Eu me casei me Feira na Igreja da Cidade Nova! Meus melhores amigos estão em Feira! Alô Julio Cesar Moraes Almeida, Márcio da Silva Bonfim, Aloísio Soares, Wellington Martins! Alô Junão, Tom Zé, Julinha, Fábio e Luciano Souto! Alô Chico Magal, que me ajudou na orientação e lembrança de muitos lugares desse texto!

Quando eu vivi em Feira de Santana ela era uma Princesa, e hoje, sinceramente eu não sei se é Rainha ou escrava; mas de uma coisa eu sei: ainda sinto muito a sua falta…

Hoje estou em Las Vegas, e sabe de uma coisa? Eu vou apelar! Vegas é feia diante do charme de minha Feira de Santana! Se aqui tem cassino, em Feira tem jogo do Bicho! Quero ver Vegas ter acarajé, escondidinho, bode na brasa, Carne de Sol com pirão de leite, aipim frito, feijão fradinho, queijo coalho, galinha guisada, carne ensopada…

Aqui tem cowboy, mas eu queria vez esse povo fazer o que faz o nosso vaqueiro valente! Se enganem não! Aqui tem gente feia demais, e gente bonita, quando chega, é turista! Feira não! Feira é repleta de gente linda, sorridente… E sem querer ser xereta, se em Las Vegas não tem nem carnaval, quem dirá uma Micareta?

Eu era muito novo e vi uma moça num concurso de Miss Bahia, e ela foi para a final! Essa moça é de Feira de Santana, e toda vez que eu a via, babava de emoção, o coração acelerava, eu suava frio! Acho que foi meu primeiro amor de fato platônico; e um belo dia, fomos eu e Geraldinho Moreira ao FTC numa Noite do Hawaii. Eu a encontrei num camarote, conversamos, namoramos, e saímos dali; e essa foi minha primeira paixão REAL…kkkk Pena que não posso revelar o nome! Coisas de Feira!

Se eu esqueci alguma coisa, fica para o próximo texto! Obrigado Mailin sempre gata Pedreira, pela publicação desse humilde texto. Obrigado Zé Coió, que me faz lembrar as tardes no Feira Hoje, quando ele me pedia para comprar Parliament! Tudo isso é Feira de Santana…

Se eu for parar para escrever sobre Feira, passo um ano e não consigo escrever tudo, e eu preciso encerrar. Me despeço com o verso mais lindo de Georgina Erismann: “Salve ó terra formosa e bendita! Paraíso com o nome de Feira. Toda cheia de graça infinita, és do Norte a princesa altaneira…”

Las Vegas, Nevada, 08 de julho de 2019

Colaboração: Alberto Peixoto

Leave a Comment

Filed under Sem categoria

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Time limit is exhausted. Please reload CAPTCHA.