Deitado eternamente em berço esplêndido/Alberto Peixoto

Estudantes prometem ir às ruas em protestos aos cortes nas Universidades Federais
FOTO: Arquivos Goocle

Como já diz o próprio Hino Nacional, o brasileiro vive deitado eternamente em berço esplêndido. Esta letargia advém do analfabetismo político que assola a população brasileira, inclusive os próprios estadistas podem ser classificados como 99,5 % analfabetos neste segmento, sem o mínimo necessário de conhecimento. Nem pensar em possuir a “teoria do conhecimento científico neste bloco governamental”.

O analfabetismo funcional segundo dados do IBOPE, gira em torno de 68%, com 7% da população totalmente analfabeta, ou seja, não possui domínio pleno da interpretação de um texto, muito menos da escrita ou operações matemáticas. Apenas 1 entre cada 4 brasileiros, é plenamente alfabetizado. Imagine com os cortes na educação, como será este quadro.

Estas observações nos levam a acreditar que a inércia do brasileiro, ou este eterno “sono” em berço esplêndido, tem como origem a falta de capacitação da grande maioria da população. Fatalmente, falta visão política.

Não se pode admitir que trabalhadores, pessoas de baixa renda, negros, sempre discriminados por este (des) governo acéfalo, apoiem a reforma da Previdência, onde estes mesmos “desvalidos” serão prejudicados; os mais humildes não poderão frequentar uma escola pública e até mesmo os mais prósperos, terão problemas com os cortes que este Ministro da Educação, meia bomba, está praticando.

Como disse o Presidente Lula, em entrevista à Mônica Bergamo (Folha de São Paulo) e Florestan Fernandes (El País), o brasileiro, principalmente o trabalhador, está aceitando todo prejuízo produzido pela reforma criminosa da Previdência, de forma muito passiva. Possivelmente ainda não entenderam a gravidade do prejuízo gerado por esta reforma criminosa.

Carapintadas invadiram as ruas na década de 90, reivindicando seus direitos
FOTO: 2 acervo O GLOBO

Este gigante que dorme em berço esplêndido há quase dois séculos – 1831; Francisco Manuel da Silva e Joaquim Osório Duque Estrada – precisa acordar urgentemente e seguir para as ruas lutar contra seus pesadelos. Pesadelos estes que estão levando não só o trabalhador brasileiro, como toda nação à “bancarrota”.

O atual governo impõe um desmonte sem precedentes ao crescimento do Brasil. Nos últimos meses o país entrou em depressão sem nenhuma perspectiva de superação. As consequências dessa estagnação vão repercutir no futuro, em uma sociedade fragmentada em classes com frequentes transições. O fim da classe média está anunciado. Seremos um país de miseráveis contra banqueiros e empresários.

Onde estão os caras-pintadas que no ano de 1992 criou o movimento estudantil, que foi às ruas com o objetivo principal que era o impeachment do Presidente do Brasil na época, Fernando Collor de Mello? Acabou o gás?

O atual Ministro da Educação (também conhecido como Ministro Chocolate) anunciou um corte de 30% – que para ele é igual a 3.5% – nas Universidades Federais. A soma do corte em todas as Universidades Federais totaliza R$ 2 bilhões. As principais consequências desta atitude insana cairão negativamente sobre as pesquisas científicas, projetos de extensão, aquisição de novos equipamentos, limpeza e vigilância, etc.

É hora de voltar para as ruas; é hora de acordar, de levantar deste “berço esplêndido” e dar um basta nesta corja de vândalos, dilapidadores do patrimônio público, destruidores do futuro dos jovens brasileiros. Os estudantes brasileiros resistiram à ditadura de 1964 e resistirão a esta, fruto de um governo composto por estúpidos, analfabetos funcionais e políticos. Espera-se que desta vez, o eleitor brasileiro tenha aprendido a lição.

Alberto Peixoto – Escritor

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