Religião, Política e Sexo

Para que lado seguir? Que rumo tomar?
FOTO: arquivos Google

Em 1534, inicio do século XVI, Henrique VIII, rei da Inglaterra, apaixonou-se perdidamente por Ana de Bolena, dama de companhia de sua esposa, a Rainha Catalina de Aragon, e exigiu que o Papa Clemente VII anulasse o seu casamento, para que ele pudesse casar-se com a serviçal do castelo. Como o Papa Clemente VII não acatou o desejo do indômito rei, foi criada então, a Igreja Anglicana, onde Henrique VIII pôde, enfim, casar-se com Ana de Bolena. Alguns anos, após o exótico matrimonio, a infeliz Ana, por não ter presenteado ao rei um herdeiro “varão”, foi decapitada por ordem do seu algoz amado, que retornou para sua ex-esposa, Catalina de Aragon.

Exatamente no ano de 1517, também século XVI, o Cardeal Martinho Lutero, decidiu publicar as famosas “95 teses”, que denunciavam a Igreja Católica por cobrança de indultos e de vender objetos consagrados pela igreja, prática hoje corriqueira em todos os seguimentos religiosos o que transformou a igreja em um grande “negócio”. A Igreja Católica se defende dizendo que simplesmente trocava “recordações” – brindes – com aqueles que faziam doações para a construção da Capela Sistina – o Vaticano alegava não ter verba suficiente para concluir a célebre obra.

Na realidade, a revolta de Lutero, foi por não ter sido indicado através dos cardeais que, liderados pelo Carmelengo, compunha o “Conclave” que elegeria o novo Papa. Martinho Lutero perdeu essa oportunidade para Leão X, surgindo daí, o Luteranismo, que mais tarde tomou o nome de Protestantismo, hoje conhecido por Crente, Cristão, Evangélico, etc. Acho que a variedade de nomes é devido à quantidade de sub-divisões a que se submeteram os seguidores de Lutero.

Em 20 de abril de 1233, século XI, o Papa Gregório IX, editou duas bulas que marcaram o início da “Inquisição”, Instituição da Igreja Católica Romana que perseguiu, torturou e assassinou vários dos seus inimigos, ou quem ela entendesse como inimigo, acusando-os de hereges, por vários séculos. Um dos mártires mais conhecido desta funesta “Instituição religiosa”, foi a francesa Joana D`arc, classificada pelos bispos católicos, como “uma bruxa enviada do demônio”, devido ao seu alto grau mediúnico. Foi torturada durante seis meses, sendo na véspera de sua execução, estuprada pela maioria dos soldados que montavam guarda no quartel e alguns detentos, companheiros de sela. Teve sua cabeça raspada e, por fim, “queimada viva” na praça principal de Rouen – cidade francesa – em uma “ardente” fogueira.

A Rainha Teodora, esposa do Imperador Justiniano, que se dizia entender teologia mais do que o Papa, por ter sido prostituta – antes de cair nos encantos do Imperador – perturbou-se ante o fato de suas ex-colegas se sentirem orgulhosas e decantarem essa condição de pertencerem ao mesmo ofício, mandou seus vassalos matarem, todas as “quinhentas” prostitutas de Constantinopla, ocasionando uma revolta dos cristãos da época que a classificaram de assassina, desejando que ela reencarnasse como prostituta e fosse assassinada quinhentas vezes em vidas futuras, a fim de expiar seus crimes. Teodora, que mandava e desmandava em meio mundo, conseguiu que no Concílio de Constantinopla, realizado em 553 dC., retirassem dos textos Bíblicos a palavra REENCARNAÇÃO, substituindo-a por ressurreição, o que só foi permitido a Jesus Cristo, filho de Deus.

E eu – após constatar que religiões surgiram para oficializar o relacionamento extraconjugal de um rei e sua amante; as desavenças políticas de um Cardeal Católico que queria ser Papa e a Cúpula do Vaticano; Uma ex-prostituta se tornou Imperatriz e quis apagar o seu passado com o sangue de suas ex-companheiras de profissão; Perseguições da Igreja Católica a fim de se manter no poder – fiquei mais perdido do que cego em tiroteio.

Para que lado seguir? Que rumo tomar? A resposta veio rápida! Deus está dentro e em volta de você, na natureza, na inocência das crianças, na chuva que cai, fertilizando o solo, no sol que aquece, nas flores que embelezam nossos jardins, na mão que afaga, no sorriso que harmoniza a vida e acaricia a nossa alma; atendendo ao apelo do nosso Irmão Maior, Jesus Cristo, dando água a quem tem sede, comida a quem tem fome, cobertor a quem tem frio, amando ao próximo em um amor fraterno, verdadeiro, e a Deus por convicção, não por mandamentos.

É no silencio do quarto, ou na tranquilidade que nos oferece uma vista a beira mar, ouvindo a sinfonia das ondas que beijam a – quase sempre – alva areia das praias, do apogeu ao perigeu de um dia vivido com honestidade e justiça, que conseguimos nos sintonizar com a Força Maior do Universo. Com certeza, você nunca vai encontrar Deus, nas frias e “mofadas” paredes dos templos. Ele se encontra dentro de nós!

Alberto Peixoto – Escritor

 

 

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