Brasilis, Anno Domini 2018

Congresso Nacional em Brasília, sempre na penumbra!
FOTO: Reuters

Só que, caro Sergio Luiz Dias Dias, o coxinha classe média que não queria os pobres em aeroportos, agora vai encontrar com eles em rodoviárias. Perderam  direitos duramente conquistados, mas pelo menos tiraram o PT.

No espaço público brasileiro, um ator social que (literalmente) fez bastante barulho nos últimos anos encontra-se, atualmente, em vias de extinção.

Trata-se do coxinha: indivíduo de classe média que, manipulado pela elite econômica, assistia ao Jornal Nacional, se revoltava (seletivamente) contra a corrupção, aplaudia as ações autoritárias de alguns juízes, batia panelas nas aparições televisivas da ex-presidenta Dilma Rousseff, escrevia “textões” indignados nas redes sociais e, aos domingos, vestia a camisa da (corrupta) CBF e ia para a Paulista (ou qualquer outra avenida do Brasil) tirar selfies com policiais e “protestar” contra o “governo petralha”.

Embora o coxinha seja uma figura presente em toda a história brasileira (no período escravocrata ele provavelmente diria que reivindicar a libertação dos negros era mimimi de esquerdopata), foi somente a partir das chamadas “jornadas de junho de 2013” que a versão contemporânea do coxinha ganhou visibilidade nacional.

Uma década de PT no poder era demais para a classe média coxinha. Como o Brasil pôde ser comandado por um “nordestino analfabeto” e depois por uma “guerrilheira comunista”?

Além do mais, o PT ajudou a promover a ascensão econômica de extratos inferiores da pirâmide social. “Aí já é demais! Pobres em aeroportos, pretos em universidades. Para onde vão meus privilégios de classes?”, indagou o coxinha.

No entanto, o coxinha não poderia dizer que odeia o PT porque o partido ajudou o pobre de alguma maneira.

Não fica bem explicitar o ódio classista assim. Portanto, era preciso criar um álibi para a empreitada antipetista.

Eis que surge uma velha pauta moralista da classe média: a corrupção.

Porém, na mente coxinha, a corrupção só existe no Estado (pois na iniciativa privada só atuam cidadãos honestos) e, especificamente, nos governos petistas.

José Manuel C. Cebola

Sintra-Portugal

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