O Brasil é o maior concentrador de renda no mundo / Por Sérgio Jones*

A pobreza é essencialmente uma forma de desigualdade.

De acordo com dados colhidos pela Pesquisa Desigualdade Mundial 2018, coordenada, entre outros, pelo economista francês  Thomas Piketty apontam resultados estarrecedores  sobre o sistema de acumulação e distribuição de renda do Brasil.  Quase 30% da renda do país está concentrada nas mãos de apenas 1% da população brasileira, o que a torna a  maior concentração do tipo no mundo. Este levantamento estatístico se estende entre o período de 20o1 a 2015.

Outra informação apontada pela pesquisa é de que o Brasil também se destaca no recorte dos 10% mais ricos, mas não de forma tão intensa quanto se observa na comparação do 1% mais rico. Os dados mostram o Oriente Médio com 61% da renda nas mãos de seus 10% mais ricos, seguido por Brasil e Índia, ambos com 55%, e a África Subsaariana, com 54%.

A Europa é o continente em que os 10% mais ricos detêm menor fatia da riqueza com 37%. Este é tido pelos pesquisadores como exemplo a ser seguido no que tange ao conceito no combate à desigualdade. Para deter este fosso existente e aberrante de modelo econômico, os estudiosos propõem, de maneira geral, a implementação de um sistema de regime em que se utiliza a tributação progressiva e o aumento dos impostos sobre herança, além de mais rigidez no controle de evasão fiscal.

Todo o trabalho de pesquisa foi baseado em múltiplas fontes, como contas públicas, renda familiar, declaração de imposto de renda, heranças, informações de pesquisas locais, dados fiscais e rankings de patrimônio. Para os estudiosos do assunto o combate à desigualdade econômica pode contribuir inclusive para o combate à pobreza — que caiu no mundo nos últimos anos, inclusive no Brasil.

 Para Marc Morgam Milá  a pobreza é essencialmente uma forma de desigualdade.” Não acho possível separar as duas”. Ele defende  que a metodologia a ser adotada,  para promover um crescimento mais consistente, tem que se fugir do cenário de livre mercado, para que possa abrir um leque de possibilidades que possa atender os segmentos dos considerados mais pobres. O que possibilitará a estes, benefícios, mesmo que de forma modesta, de parte de  ganho dos mais ricos.

Sérgio Jones, jornalista

(sergiojones@live.com)

 

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