Muito circo e pouco pão nas comemorações de primeiro de maio no Brasil

O povo reivindica seus direitos historicamente conquistados.

Definitivamente, o Brasil não é um país para ser levado a sério. Tudo que acontece por aqui, na terrinha do Cabral, o português, não confundir com o carioca. Começa e termina ao som do funk, samba e pagode. Mais uma vez estamos nos aproximando da data emblemática em que se comemora, internacionalmente, o dia da classe dos trabalhadores. Na contramão da história, não ouviremos, de seus representantes, reivindicações que busquem dignificar e melhorar as condições de vida do operariado brasileiro. Tudo nos conduz a crença de que vamos nos defrontar com a realização em praça pública do maior e mais importante município da federação do país, São Paulo. Com megaeventos, onde estarão se apresentando astros da indústria fonográfica, todos eles patrocinados por empresas nacionais e multinacionais.

As cotas dos anunciantes serão generosamente comercializadas e eles terão os seus logotipos espalhados por toda a parte. Sorteios de apartamentos e automóveis serão feitos entre os sócios da entidade sindical. Tal comportamento bizarro vai de encontro às origens da história desta data tão importante no calendário político do trabalhador. Nunca é demais lembrar um pouco desse processo e como ele aconteceu. Em primeiro de maio, nos idos de 1825, o inglês Robert Owen realizou a sua experiência utópica da criação de uma colônia igualitária, nos Estados Unidos, o que não deu certo. A data só ganhou envergadura em 1886, quando em várias cidades o povo e os trabalhadores saíram às ruas pleiteando jornada de 08 horas diárias de trabalho. Nesse mesmo dia, os operários se encontravam em greve. Na segunda-feira (3) a polícia dispara de forma indiscriminada contra os trabalhadores deixando um saldo de seis motos, cinquenta feridos e centenas de presos.

No dia seguinte, terça-Feira (4), mais mortos. Meses depois os líderes do movimento foram condenados à morte ou a prisão perpétua. A partir desta data fatídica, o primeiro de maio passou a ser considerado como o dia internacional de luta da classe dos trabalhadores. Esta rápida exposição de fatos, de caráter pedagógico, tem como objetivo expor o quanto estamos distantes desta realidade histórica. O conceito foi e continua sendo criminosamente desvirtuado objetivando atender interesses, nem sempre confesso, de lideranças de sindicatos pelegos que se transformou em uma casta de privilegiados, em detrimento dos reais interesses da classe operária. Este primeiro de maio será mais um legado capitalista que dá lucro.

Sérgio Jones.

Jornalista

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