O povo, os políticos e Maquiavel

A falta de compromisso com a sociedade atribuída aos políticos brasileiros é um fato inusitado e que tem o próprio cidadão como conivente. Por sua vez o eleitor, na sua grande maioria, age como se as eleições fossem uma partida de futebol onde seu time tem que sair vencedor, custe o que custar. Este comportamento irresponsável está sempre ajudando a eleger os menos capacitados para os cargos públicos, seja no legislativo ou no executivo.

Mediante o analfabetismo político e a falta de escolaridade de grande parte do eleitorado brasileiro, observa-se que o político se reveste de um poder que não lhe é natural, e sim que pertence ao povo, e passa a agir em benefício próprio, praticando todo tipo de corrupção e desmandos, sem nenhuma cobrança seja do próprio povo ou do judiciário, que tem como símbolo Têmis, uma divindade grega com os olhos vendados e que só enxerga o que é do seu interesse, quando deveria aplicar a justiça sem importar quem seria o beneficiário.

Tudo isso leva a concluir que o culpado desta situação insólita não é só o político e sim o próprio povo, que já não aguenta mais esta situação de caos, mas não toma uma posição contra este comportamento nefasto atribuído aos nossos gestores públicos. Como dizia o poeta e compositor baiano, Raul Seixas: ficam com a boca escancarada, cheia de dentes, sentado no trono de um apartamento, esperando a morte chegar.

Diante dos fatos que atualmente acontecem no Denit e em tantos outros órgãos federais, estaduais e municipais, chega-se à conclusão de que a faxina que está sendo feita no Partido Republicano (PR) e no Ministério dos Transportes – chamada por alguns, de “Caça as Bruxas” – deveria ser feita em todos os órgão públicos.

Aliadas a estes acontecimentos encontramos a falta de ideologia política. Observa-se que em Feira de Santana, pode-se dizer até, não existe mais oposição. Os “macacos” que estavam nos galhos de baixo estão passando, desavergonhadamente, para os de cima, na busca pelo poder. Há uma forte sinalização de que em pouco tempo, não haverá de fato e de direito oposição na Cidade Princesa.

Em face ao acontecimento de tais fatos, conclui-se que todos os políticos brasileiros estudam na cartilha de Maquiavel, escritor renascentista, e estão sempre aplicando sua conhecida frase, “Os fins justificam os meios”, publicada em sua principal obra, O Príncipe, onde se encontra distribuído pelos 26 capítulos, um manual – Maquiavélico – de como deve agir um governante.

Com certeza, nas próximas eleições, haverá um número recorde de votos nulos e em brancos devido à conscientização que vem crescendo, ainda que de forma lenta, nos eleitores brasileiros, que já não suportam mais tanta impunidade e desrespeito ao cidadão.

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